quinta-feira, 3 de abril de 2014

5 de abril

Noite estrelada
no céu de abriu

portas
mortas

Há tempos
expostas

sem respostas

Na noite de outono

Tonto

Me ergo
como um cadáver
quente




Ao lado
a jovem esposa
prepara o sonho
no sono


Quarto que abriu
em 4 de abril


Descendo as escadas
em caracol
vejo o sapo

Sapo querido
que fazes comigo?

Te faço um amigo
nesta madrugada

Interessante sapo
comeste alguma coisa?

Talvez caracóis na escada

Eu
por mim
dois sanduíches
de presunto

muito

Piscas estrelas
pois a lua crescente
já se foi para o poente

poucas somente
neste mar indolente
o paraíso da mente

Entende?

Só mais um dia
para o próximo

que eu amo
como amo
a mim mesmo
mesmo com o desprezo
de quem adora
o gosto ácido
que ama o ócio

Tenteando
Tenteando

tento encontrar
o caracol
da escada que sobe

Não há encontro
O sapo comeu

Cometeu um erro
pois agora
subir não pode

Então fico embaixo

Esperando no fogo
o tacho

da bruxa que prepara 
o sapo
no saco de aniagem

onde ali agem
e se aninham paragens

que não conheci

nem a ti

Assim mesmo
na revoada da bruxa
que coisa absurda
quando puxa a espada


Sangrando o sapo

Partida
a bruxa na ida
na volta troca a sério
o mistério da criação 
de Adão


Deus
quanta besteira escrevo
nesta noite insone